Quer
enriquecer?
Pergunte-me como!
Conheça
os vendedores da Herbalife que ganham mais
que presidente de empresa |
Como
os vendedores da Herbalife fazem carreira e fortuna
oferecendo shakes e tabletes para emagrecer
Por
Rosa Symanski
Perder
peso rapidamente com saúde e sem sofrimento. Esse
é o sonho da maioria das pessoas que vive com
uns quilinhos a mais, brigando com a balança.
Muitas pagariam qualquer preço para encontrar
a fórmula mágica do corpo perfeito. A Herbalife,
uma das líderes da indústria de redução de peso
e nutrição, não ignorou esse desejo. Transformou
essa busca num negócio pra lá de milionário. Para
isso, montou um exército de supervendedores e
distribuidores altamente treinados e persuasivos
em todo o mundo. Você já deve ter visto um deles
por aí. Geralmente eles usam um botton preso à
camisa com os dizeres "Quer perder peso? Pergunte-me
como", quando não espalham adesivos com os dizeres
nos vidros do carro. Se você tiver mesmo essa
curiosidade e perguntar, se prepare: o vendedor
vai agendar uma visita e lhe apresentar um arsenal
de shakes, tabletes e bebidas que prometem acabar
de vez com os pneuzinhos, a barriga e a celulite.
É difícil resistir às habilidades do vendedor,
que raramente perde uma venda. E, enquanto você
emagrece, ele engorda a conta corrente. Há casos
de profissionais da Herbalife ganhando 100 000
reais por mês -- mais do que muito presidente
de grande empresa por aí.
A
venda de porta em porta, além de ser o alicerce
do negócio da Herbalife, tem sido o caminho para
a independência financeira de inúmeros de seus
profissionais. É o caso, por exemplo, do administrador
de empresas paulistano Fábio Sasaki Fujihara,
de 36 anos. Ele, que começou nesta carreira há
nove anos vendendo um shake emagrecedor para os
amigos mais próximos, já conquistou o patrimônio
de um milhão de reais. "Comecei a ganhar mais
de 100.000 reais por mês no ano passado", afirma.

Fábio Sasaki Fujihara, que mora em Londrina
(PR): quatro carros importados na garagem e patrimônio
de um milhão de reais
Fujihara
tinha uma empresa de equipamentos médicos em sociedade
com o irmão e aproveitava o pouco tempo que sobrava
para vender os produtos da Herbalife. As vendas
começaram a crescer e ele decidiu se dedicar integralmente
à carreira de vendedor. Outro fator também o impulsionou
para essa virada: ele perdeu 7,5 quilos com os
shakes e tabletes e acredita na proposta com conhecimento
de causa. A princípio, a opção de Fujihara pelas
vendas foi vista com reserva pelos familiares
e amigos, que desconfiavam da atividade. "Para
evitar maiores constrangimentos, eu me passava
por intermediário e inventava que um amigo era
o vendedor", conta. "As pessoas se impressionavam
quando viam o quanto eu tinha emagrecido e queriam
saber mais detalhes. Aí eu falava do shake." O
valor do kit varia de acordo com os produtos adquiridos,
mas a média que o cliente desembolsa é de 200
reais por compra.
Hoje,
Fujihara mostra com orgulho os carros que têm
em sua garagem: uma Mercedes, uma BMW, um Volvo
e um Audi, frota que seria praticamente impossível
de ser montada se tivesse continuado com o negócio
de equipamentos médicos. Ele mora em Londrina,
no Paraná, e já desfruta de uma vida digna dos
"bem-aventurados". Viaja cerca de quatro vezes
por ano ao exterior, sempre de primeira classe
e acompanhado da esposa. Seu patrimônio inclui
uma casa de 400 metros quadrados em Campos do
Jordão e um sítio próximo a São Paulo, com direito
a muito conforto. Trabalha em casa cerca de oito
horas por dia e tem toda a flexibilidade do mundo.
Seu próximo passo será a construção de outra casa,
só que dessa vez de 1.000 metros quadrados - na
Califórnia, Estados Unidos. "Tenho uma equipe
de vendedores por lá e quero fortalecer meus negócios
na região", justifica.
Receita
do sucesso
A receita para se chegar ao patamar no qual se
encontra Fujihara é simples. A Herbalife recorre
ao denominado marketing de rede, cuja estratégia
principal para expandir as vendas está baseada
na recomendação boca a boca entre os usuários
e vendedores. A empresa incentiva o distribuidor
(vendedor de produtos) a formar uma equipe de
vendas, que fica sendo sua subordinada. Ele passa,
a partir daí, a ganhar comissão de 5% sobre as
vendas dos outros. Como cada membro da equipe
também é estimulado a criar o seu time, agregando
novos vendedores, o negócio cresce em progressão
geométrica. O time de Fujihara, por exemplo, tem
mais de 3 000 pessoas espalhadas por 12 países.
Esse sistema segue o modelo consagrado pela norte-americana
Amway para ganhar o mercado brasileiro nos anos
80.
A
Herbalife também recorre a expedientes como reuniões
para arregimentar novos vendedores. Nesses encontros
são utilizadas técnicas agressivas de motivação,
com depoimentos de pessoas que ganharam verdadeiras
fortunas. As platéias entram em euforia lembrando,
muitas vezes, o clima de um culto religioso. A
diferença é que as reverências vão para os negócios
e para os vendedores. Alguns deles chegam até
a distribuir autógrafos, como se fossem astros
pop.
O
sucesso parece brindar aqueles que se dedicam
arduamente ao negócio, como é o caso do professor
de caratê israelense Eli Elimelech, de 41 anos.
Ele chegou ao Brasil em 1997 decidido a investir
na Herbalife. "Comecei a fazer clientes na primeira
semana, apesar da barreira da língua. A minha
dedicação era em tempo integral", lembra. Atualmente,
a equipe dele tem 250 membros e atende a uma clientela
de cerca de 3 000 pessoas. Os rendimentos médios
de Elimelech variam entre 80 000 e 100 000 reais
por mês. Além de atuar em cinco Estados brasileiros,
a amplitude da rede formada por ele já fez suas
vendas atravessarem as fronteiras de países como
Argentina e Estados Unidos. "Se continuar neste
patamar, estarei milionário até o final do ano",
comemora. Com a vida ganha, Elimelech, que diz
manter seu peso consumindo os produtos da Herbalife,
já realizou junto com sua família o sonho de viajar
pelo mundo. "Conhecemos uns 20 países. Somente
neste ano fomos quatro vezes para o exterior",
conta.
Terreno
fértil
Dados divulgados pela Herbalife demonstram que,
no acumulado do ano, a companhia já distribuiu
mais de 120 milhões reais em lucros sobre a revenda
de produtos, bônus e comissões aos seus distribuidores
no Brasil. Para a diretora-geral da Herbalife,
Eneida Bini, a transformação da vida financeira
dos vendedores é uma característica inerente ao
negócio. "Há casos em que as pessoas não tinham
sequer emprego e conseguiram qualidade e melhora
em suas expectativas", diz. Egressa da Avon, onde
se tornou a primeira mulher a comandar a empresa
no Brasil, Eneida acredita que o marketing de
rede é uma tendência mundial. "Houve um grande
crescimento pela procura de emprego e as pessoas
estão buscando novas oportunidades de negócios",
justifica. O terreno para o crescimento da Herbalife
no Brasil tem se mostrado fértil. Entre 2002 e
2003, a companhia, que não divulga seu faturamento,
obteve um crescimento de 50%. A empresa tem atualmente
90 000 distribuidores no país. De acordo com Eneida,
um levantamento feito em junho deste ano demonstrou
que 0,5% dos distribuidores tem ganhos acima de
8 000 reais por mês, e somente 1% ganha acima
de 20 salários mensais. A média geral é de cinco
salários mínimos mensais. "Houve um grande aumento
de consciência sobre a saúde e o bem-estar", diz
a executiva. "E isso tem feito bem aos nossos
negócios."
Henrique
Memberg Filho, de 35 anos, pegou carona no crescimento
dessa tendência. Formado em administração pela
Fundação Getulio Vargas, ele decidiu há dez anos
deixar para trás o emprego de supervisor na DPaschoal
para apostar na carreira de vendedor de produtos
da Herbalife. O objetivo inicial era ter mais
tempo livre para surfar, uma de suas paixões.
Três meses depois, no entanto, já estava se dedicando
ao novo trabalho em período integral. Sua retirada
mensal gira em torno de 100 000 reais. Atualmente,
ele está construindo uma casa de 500 metros quadrados
com piscina, churrasqueira, sauna e home theater.
Seu patrimônio é formado ainda por uma residência
de 300 metros quadrados na praia de Ubatuba, litoral
de São Paulo, e dois escritórios. "Tiro dois meses
de férias por ano, mas chego a trabalhar dez dias
sem trégua quando há necessidade", revela.
E,
então, qual é o seu sonho? Se for perder peso,
a Herbalife garante que pode atender. Se for ganhar
muito dinheiro, também. Os vendedores da empresa
não têm dúvida disso, a ponto de encarar o ritual
de vendas quase como uma religião. A questão é:
você está disposto a rezar por essa cartilha?
O
vendedor Herbalife
Conheça
o perfil dos vendedores da multinacional americana:
1.
É comunicativo e desinibido
2. É persistente
3. Não tem necessariamente uma formação acadêmica
4. Tem espírito empreendedor e uma boa rede de
contatos
5. Sabe como manter e motivar sua equipe
6. Usou os produtos Herbalife e perdeu alguns
quilos -- é a prova de que os produtos funcionam
Culto
ao produto
Para
chamar a atenção dos consumidores, a Herbalife
orienta seus vendedores e supervisores a utilizar
três ferramentas básicas. A primeira são os famosos
bottons com o slogan "Quer perder peso? Pergunte-me
como". Eles chamam a atenção e servem de ponto
de partida para a conversa. Os profissionais mais
agressivos chegam até a pintar o carro com as
cores e o logo da Herbalife para uma divulgação
maior. A segunda é o próprio corpo dos vendedores.
Como a maioria deles foi ou é usuária dos produtos,
é comum, por exemplo, eles próprios exibirem suas
fotos para convencer o cliente no momento da venda.
Ali, instantaneamente, o futuro comprador tem
uma idéia do antes e do depois do tratamento.
A terceira arma é o discurso articulado. A empresa
orienta seu pessoal a manter uma postura positiva
enquanto negocia. Para driblar eventuais recusas,
a ordem é demonstrar empatia em relação aos argumentos
do interlocutor, para, em seguida, mostrar outros
aspectos e benefícios dos produtos. Todas essas
técnicas são ensinadas nos eventos da Herbalife,
geralmente comandados pelos supervisores. É uma
grande festa, quase sempre embalada por músicas
estridentes dos anos 80 e 90. O encontro começa
com a exibição de um vídeo em que aparece o fundador
da companhia, o americano Mark Hughes. É a primeira
injeção de motivação. Hughes fala, entre outras
coisas, do preconceito de muitas pessoas que,
no passado, não consideravam a venda de produtos
Herbalife um trabalho decente. Na seqüência, o
vídeo fala dos consumidores ávidos por produtos
da indústria do bem-estar. É quando os supervisores
presentes sobem ao palco para contar suas experiências.
Há casos de profissionais que abandonaram carreiras
sólidas, faculdade e até MBAs para se tornar vendedores
da Herbalife. Após cada relato, a música invade
o salão com toda força. "Cada distribuidor organiza
seu próprio evento, mas as músicas devem ser motivacionais
e mexer com a energia da platéia", afirma Eneida
Bini. Ela discorda, no entanto, que a fórmula
da empresa lembre o modelo dos cultos religiosos.
"A base não é essa. As pessoas que fazem as vendas
acabam se entusiasmando, o que gera uma vibração
positiva. Elas realmente acreditam no que estão
fazendo."
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